quarta-feira, 28 de junho de 2017

Nostradamus


Nostradamus

Outro dia, ao entrar em uma loja, vi um homem que estava indignado porque não o deixaram preencher um cheque. Alegaram que uma máquina faria o preenchimento. “Assina na máquina também!”, disse o homem, irado. Não é que tal indignação tem procedência. Como se escreve mesmo o número 60 por extenso? É com c ou dois s?… Meu Deus, não lembro! Ainda bem que ainda sei assinar o meu nome, mas sei que daqui algum tempo isso não será mais necessário, pois já não há projetos tecnológicos que nos possibilitará votar com o auxílio da digital? Pois então… Nada contra a tecnologia. Revoluções por Minuto ainda é atual. Viva o RPM! Vamos aromatizar essa vida degradante! Aromatizante já! Tem vídeo pirata? Tem!, claro que tem! Mas cartão magnético agora tem chip e, além da senha, uma dúzia de letras para digitar. Quanta segurança para o cidadão!
Lembrou-me olhar a data. Há quanto tempo estou perdido? Será que estou atrasado? Acho que sim, mas eu queria daqui alguns anos ao menos poder assinar o meu cheque, ou será que minha digital será suficiente para dizer quem realmente sou?
— Quem é você? — será a pergunta de uma recepcionista de uma loja qualquer.
— Sou essa digital aqui! — responderei, mostrando o polegar, o sorriso travado feito uma câimbra. — Como pago a conta?
— Coloque o dedo aqui… o polegar, tá?, e aguarde até a maquininha reconhecer.
Colocarei o dedo na máquina e aguardarei ansioso pelo sinal sonoro que avisará que ainda existo. Quanta alegria sentirei nesse dia! Ufa, serei ainda um ser humano, afinal terei ainda uma digital.
Já penso até nos novos modelos de celulares. Eles terão Bluetooth transmissor de digital.
Vou estar enviando a minha digital pra você, ok? — dirá um cidadão informatizado e eletrolesado, feliz da vida pela facilidade tecnológica nova geração… de uma geração líquida.
Quanto aos crimes? Serão digitais. Não! Não é isso que você está pensando, não!!! Não é digital relacionado a crimes cometidos pela Internet: essa pedofilia quase canônica que engessa os cérebros e vedam os olhos dos fiéis. Refiro-me aos sequestros relâmpagos, que não serão mais dessa forma convencional, em que a vítima precisa acompanhar elegantemente o elegante sequestrador, cujo intelecto, embora haja tanta informação, é como uma bela letra de funk.
— Ei, ei! Perdeu, perdeu, chefia! Isso é um sequestro! — dirá o gentil sequestrador.
— Pra onde… pra onde vai me levar?! — perguntará a vítima, completamente assustada.
O sequestrador estranhará a atitude do ilustre desavisado, e seus neurônios poderão entrar em colapso ao tentar entender a situação; afinal, engravatados ditos intelectuais só no plenário consumidor de pizza sabor Vossa Excelência.
— Como assim, levar você?! — questionará o sequestrador.
— Não vai me levar?! — o cidadão dirá um tanto aliviado, embora ainda confuso.
— Não, não vou! — responderá o sequestrador digital, com um revólver numa mão e o bisturi na outra. — Passa o polegar pra cá agora, anda logo!!!



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Um comentário :

  1. bom texto.
    me fez lembrar que logo virá o biochip
    se o mundo ja é manipulado sem chip
    imagine com chip
    a industria farmaceutica,alimentar,a religiao,os grupos organizados
    será um matrix completo
    só JESUS PRA LIBERTAR
    .elton thiago.

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